
Tanques do exército iraniano são exibidos durante o desfile militar anual. (Foto: Reprodução)
O Comando Combatente Unificado das Forças Armadas Iranianas afirmou que, caso a infraestrutura de combustível e energia do Irã seja atacada, todas as instalações energéticas pertencentes aos Estados Unidos na região serão alvo de retaliação, de acordo com a mídia iraniana.
O Exército iraniano advertiu nesse domingo (noite de sábado em Brasília) que atacará a infraestrutura da região do Golfo Pérsico e ameaçou fechar completamente o Estreito de Ormuz caso o presidente americano, Donald Trump, ataque as centrais de energia elétrica do país. O comunicado foi emitido após Trump dar ao Irã um prazo de 48 horas para que o país reabrisse o estratégico estreito, que foi bloqueado no início da guerra no Oriente Médio.
“Se a infraestrutura iraniana de combustível e energia for violada pelo inimigo, toda a infraestrutura de energia, tecnologia da informação e dessalinização dos Estados Unidos e do regime na região será atacada”, declarou o porta-voz do comando operacional do Exército, Khatam Al Anbiya, em um comunicado divulgado pela agência Fars. “O Estreito de Ormuz será totalmente fechado e não voltará a ser reaberto até que as nossas usinas destruídas tenham sido reconstruídas”.
Na última semana, Trump criticou aliados europeus pela recusa em se unirem a uma ofensiva militar no estreito, e se vê sem opções efetivas para garantir a passagem dos navios. Na noite de sábado, deu um novo ultimato a Teerã:
“Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão suas diversas USINAS ELÉTRICAS, COMEÇANDO PELA MAIOR!”, escreveu Trump em sua rede social, o Truth Social.
O presidente americano não deu detalhes sobre seus potenciais alvos. Hoje, a maior unidade de produção de energia no Irã é o complexo termoelétrico de Damavand, que serve Teerã — a matriz energética local é composta quase que totalmente por fontes fósseis, como petróleo e gás.
Contudo, o ultimato deixa transparecer a irritação de Trump com a ineficácia de sua estratégia para romper o bloqueio imposto pelos iranianos no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global de petróleo e gás. O Irã praticamente já fechou a via marítima, mas um número relativamente reduzido de navios conseguiu transitar por lá, cerca de 5% do volume anterior à guerra, segundo a firma de análise Kpler.
No sábado, as Forças Armadas americanas afirmaram ter atingido um bunker de armazenamento de armas na costa do estreito, e que seria usado pela Marinha e pela Guarda Revolucionária para controlar o tráfego de navios. Dentro da estratégia iraniana, são usados barcos de pequeno porte, foguetes, drones e minas navais para bloquear as rotas.
Desde o início do bloqueio, o tráfego de petroleiros e navios de transporte caiu 95% em Ormuz, e apenas algumas embarcações receberam autorização dos iranianos para passar. Grandes empresas de navegação e seguradoras internacionais cancelaram viagens e apólices, e mesmo que a área fosse liberada imediatamente, seriam necessárias algumas semanas até que a situação fosse normalizada.
O fechamento prolongado contribui em grande parte para a disparada dos preços do petróleo nos mercados internacionais, com o barril do tipo Brent se aproximando da marca dos US$ 120 na última semana. Para Trump, que em novembro enfrentará eleições legislativas que podem definir seus últimos dois anos no poder, a alta dos combustíveis é um fator de risco, ainda mais em uma campanha já marcada pelo debate sobre o elevado custo de vida no país. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

